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ARTIGOS

Yoga para mudar o mundo?

Instrutor: Ciro Castro

Então você tinha uma vida estressante que estava acabando com você, um trabalho que sugava sua alma, uma rotina que já não fazia mais sentido. De alguma maneira você acabou indo praticar Yoga ou meditação e, depois de poucos meses, esse novo hábito transformou o seu jeito de ver e conviver o mundo, você se sente mais leve, mais “zen”.

A partir daí talvez você sinta que deve transmitir tudo para amigos e familiares, que todos precisam saber desta boa nova, que seria importante mudar o mundo com tudo que o Yoga mudou em você. Será?

Cuidado, muito cuidado nesta hora! Veja bem, não seria o Yoga uma prática para o autoconhecimento, uma jornada para o interior, um convite para auto análise? Por que então deveríamos desejar influenciar a todos ao nosso redor e transformar o mundo com a régua do Yoga? Não estaríamos assim caindo no mesmo erro que um fanático religioso que impõe sua crença a outras pessoas?

O Yoga nos ensina na Bhagavad Gita que o Absoluto tem inúmeras facetas e formas, que se manifestam de infinitas maneiras. Sendo assim, provavelmente, muitas destas manifestações não estarão de acordo com meu próprio gosto, e podem desta maneira me causar desconforto. E isso é muito bom! Observe que não devemos desejar a todo momento mudar o mundo ou aquilo que está a nossa volta. Isso seria uma tarefa indigna e quase sempre improdutiva.

Ainda segundo o diálogo entre Krishna e Arjuna, devemos observar como os estímulos gerados pelo ambiente ressoam em mim internamente, e assim aprender a lidar de maneira mais equânime com aquilo que me dá prazer, bem como com aquilo que me gera desconforto. Com o tempo, desta maneira, encontrarei mais equilíbrio interno, encontrarei mais sapiência.

Mas por favor, ninguém aqui está falando para não ser um transformador social ou ser um acomodado. Longe disso! Apenas alertamos para uma possível imposição de nossa maneira de ver as coisas num universo tão diverso e vasto.

O Yoga está aí deste de tempos remotos como um convite para um olhar interno. Então acredite nisso, continue nessa jornada, aprofundando neste tema. Os processos dos outros, são os processos dos outros, e o tempo de cada um deve ser respeitado, assim como sua percepção.

Instrutor: Ciro Castro