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ARTIGOS

E esse tempo que não passa!?

Instrutor: Ciro Castro

Quando na adolescência comecei a estudar música e me deparei com uma situação que até hoje relembro em minhas aulas de Yoga no Espaço Yogapada ou mesmo nos cursos que dou por aí.

Todo estudante de música sabe como é complicado aprender a tocar dentro do beat, dentro do andamento do metrônomo. Pra quem não conhece o metrônomo é um aparelho que marca de forma precisa o tempo em que devemos tocar para que o músico aprenda a executar as notas dentro do ritmo da canção.

Amigo, no início o cara fica maluco com o tec tec tec continuo, não conseguimos entrar na cadência e até achamos que o aparelho está quebrado, que está adiantando ou atrasando o tempo. Até as coisas se assentarem muitas horas de suor podem passar.

O mesmo acontece com a nossa noção de tempo no dia a dia. Cinco minutos numa fila no banco podem ser intermináveis e os mesmos cinco minutos de chamego com minha namorada passam rápido demais. É o tempo que ficou louco?

Por mais que pareça o contrário, o relógio sempre passa do mesmo jeito, o que muda é a nossa percepção das coisas. Temos sempre a tendência de rejeitar tudo que nos parece chato, que nos causa desconforto. E por outro lado, queremos que aquilo que nos dá prazer nunca acabe e ainda se repita outras vezes. E isso é natural, faz todo sentido.

Porém, e sempre tem um porém, momentos ruins ou momentos bons sempre vão acontecer, independente de nossa vontade ou desejos. O voo pode atrasar, o cheque pode voltar, o caldo pode entornar. Podemos ter o que desejamos, ou podemos não ter o que queremos, apesar de nosso esforço. O imponderável sempre está por aí, como um fato inabalável de nossa existência, e apesar de nossa dedicação para evitar a dor e procurar o prazer, tudo pode acontecer no caminho.

Assim, seria mais interessante, mais maduro, aprendermos que ao realizarmos qualquer ação colheremos basicamente três variações: aquilo que queremos, diferente daquilo que queremos ou ainda o inesperado, algo que foge de qualquer expectativa. Deixe-me tentar ser mais claro. Imagine que um jogador chuta a bola ao gol. Ele deseja fazer o gol para ganhar o jogo e ele pode conseguir isso. De outra maneira é plausível que ele possa errar por pouco ou por muito. E a terceira opção seria um torcedor entrar no gramado e chutar a bola para longe. Isso seria inesperado, um fato raro.

O Karma Yoga, o Yoga da ação quer nos mostrar isso. Após executarmos uma ação apenas três opções podem acontecer, como foi descrito acima. Quando aprofundamos este conceito em nosso ser, quando entendemos este fato, passamos a lidar melhor com tudo aquilo que nossa relação com mundo e com os outros nos dá. Posso ter o que quero, posso ter algo diferente do que quero, posso receber algo inesperado.


Por fim, paramos de sofrer com o tempo que não passa, ou com o tempo que passou voando. Paramos de querer controlar tudo da maneira que gostaríamos, e buscamos compreender melhor as variações naturais de nossa existência.

Instrutor: Ciro Castro